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CAPELA SÃO MIGUEL ARCANJO

LOCALIZAÇÃO DO EDIFÍCIO E AS ROTAS COLONIAIS

        A capela, localizada na atual praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, foi o coração da freguesia de São Miguel até meados do século XIX e hoje representa um grande valor histórico e patrimonial por apresentar, de forma preservada, fragmentos de sua construção original que permitem estudos sobre as relações e hábitos entre os jesuítas e indígenas.


       Sua história está diretamente ligada à fundação da vila de São Paulo de Piratininga pelos jesuítas. Após a fundação do seu colégio em 1554, eles buscaram evangelizar o maior número possível de nativos e fazer com que estes fixassem moradia próximo ao colégio. Os religiosos conseguiram reunir várias famílias nativas, no entanto, havia grupos que relutavam em aceitar a evangelização, culminando na fuga de muitos indígenas daquela localidade.


        A narrativa da fundação da capela de São Miguel é um tema controverso e muito debatido dentro da historiografia. A versão mais tradicional relata sua origem a partir do Padre José de Anchieta que a teria fundado durante incursões realizadas a mando de Manuel de Nobrega, com o objetivo de reunir novamente os indígenas que haviam fugido, como dito anteriormente.

Fonte: Fundação Tide Setubal. Almanaque: um olhar sobre São Miguel Paulista. Manifestações culturais, ontem e hoje. São Paulo: 2008. Disponível em: <https://fundacaotidesetubal.org.br/downloads/publicacoes/246/almanaque-um-olhar-sobre-sao-miguel-paulista-manifestacoes-culturais-ontem-e-hoje>

 

      Na segunda metade do século, precisamente no ano de 1779, o bairro de São Miguel foi elevado a distrito, como é reconhecido oficialmente até hoje.¹ Sua ocupação e desenvolvimento ocorreu aos poucos, relacionado principalmente ao abastecimento da região de Minas com gêneros alimentícios e de couro, assim como boa parte do desenvolvimento de São Paulo como um todo durante o século XVIII.²

 

      Rotas coloniais

      A região onde se localizam São Miguel Paulista, Lajeados e Vila Curaçá começou a fazer parte de um centro de aldeamentos quando os padres Anchieta e Manoel da Nóbrega vieram, no séc. XVI, com suas missões catequizadoras. Em 1560, conhecida como Ururaí, era esta região onde indígenas haviam entrado em conflito com os colonos. O Padre José de Anchieta mandou erguer uma capela dedicada à São Miguel Arcanjo e o local passou a ser chamado de São Miguel de Ururaí. 

 

      A construção dessa capela deu origem a um aldeamento próspero, que se consolidou como Aldeia do Padroado Real, com abundância de mão-de-obra indígena. Por sua construção rudimentar, a capela deu lugar à uma igrejinha de taipa de pilão em 1622. O aldeamento de São Miguel fazia parte do principal caminho que do litoral levava à região mais protegida do planalto - onde foi fundada, a primeira escola jesuíta, que originaria a cidade de São Paulo -, tinha vista para o Tietê, que margeava São Miguel e se tornaria um dos caminhos mais importantes a levar colonos e bandeirantes para diferentes destinos.

 

      Dessa forma, São Paulo ocupou o lugar de estratégia geopolítica dos portugueses por conta da base pioneira instalada em São Vicente e do aldeamento jesuíta em São Miguel. Foi uma “localização que favorecia a expansão portuguesa na direção da bacia hidrográfica que começava no Tietê, estendia-se pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, para desembocar nas águas do rio da Prata”³, seguindo, assim, o tratado de Tordesilhas.

 

Notas

¹ Prefeitura de São Paulo. São Miguel Paulista: Histórico. 2019. Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/sao_miguel_paulista/historico/>
Acesso em: 15 jul. 2019.

² BORREGO, Maria Aparecida de Menezes. Comércio e poder na cidade de São Paulo setecentista. VII – Comércio e Abastecimento na América Portuguesa. VII Jornada Setecentista, Centro de Documentação e Pesquisa em História, UFPR, 2007, p. 569- 578. Disponível em: <http://www.humanas.ufpr.br/portal/cedo.pe/files/2011/12/Com%C3%A9rcio-e-poder-MariaAparecida-de-Menezes-Borrego.pdf> Acesso em: 15 jul. 2019.

³ SANTOS, Eduardo. “São Paulo e São Miguel: dois lados de uma mesma história”. In: SANTOS, Edison. (org.) Capela de São Miguel - Restauro, fé, sustentabilidade. São Paulo, 2010. ACBJA, p. 20.

Bibliografia

CAMPOS NETO, Cândido Malta. Os rumos da cidade: Urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo: Senac, 2002.

 

MENEZES, Biblioteca Pública Raimundo de (Org.). Bairro de São Miguel Paulista. 2008. Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_m_z/raimundodemenezes/index.php?p=5722>. Acesso em: 08 jun. 2019.

 

MORAIS, Isabel Rodrigues de. São Miguel Paulista Capela de São Miguel Arcanjo interfaces das memórias do patrimônio cultural. 242 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de História, História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007. 

 

Organização Brasil Jesuítas. Capela de São Miguel Arcanjo completa 390 anos. 2012. Disponível em: <http://www.jesuitasbrasil.com/newportal/2012/07/25/capela-de-sao-miguel-arcanjo-completa-390-anos/>. Acesso em: 6 jun. 2019.

 

OS ANOS ESQUECIDOS DE SÃO MIGUEL PAULISTA. São Paulo, 29 nov. 2018. Disponível em: <https://www.agenciamural.org.br/os-anos-esquecidos-de-sao-miguel-paulista/>. Acesso em: 10 jun. 2019.

 

PORTA, Paula. (org) História da cidade de São Paulo - 3 volumes. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2004.

 

REVISTA SÃO MIGUEL. São Paulo, 2010. Disponível em: <http://revistaeletronicadesaomiguel.blogspot.com/2010/06/da-aldeia-de-ururai-sao-miguel-paulista.html>. Acesso em: 6 jun. 2019.

 

RIBEIRO, Maria Regina de Oliveira. A “máquina do tempo”: Representações de Passado, História e Memória na sala de aula. 2006. 272 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.

 

SANTOS, Eduardo. São Paulo e São Miguel: dois lados de uma mesma história. In: SANTOS, Edison (org.) Capela de São Miguel - Restauro, fé, sustentabilidade. São Paulo, 2010. ACBJA.

 

Textos de Gabriela Pires dos Santos; Marina Pereira Gomes, Vanessa Gabriela Silva Rodrigues

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