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CAPELA SÃO MIGUEL ARCANJO

FUNDAÇÃO DA CAPELA E OS ALDEAMENTOS COLONIAIS

       Apesar de haver divergências entre estudiosos se o Padre José de Anchieta foi fundador do bairro de São Miguel ou não, existem muitos indicativos de que no ano de 1560, a mando do Padre Manuel da Nóbrega, José de Anchieta chegou à região do Ururaí. Aí se assentava uma das aldeias tupiniquim e, com a instalação de uma pequena capela, fundou o aldeamento de São Miguel. Anchieta chegou a fazer parte do aldeamento, visitando-o algumas vezes e noticiando o número de almas/pessoas presentes na época. Em 1586, o nome de São Miguel passou a constar nos catálogos da Companhia de Jesus.
 

       Construída com emprego de materiais pouco duradouros e métodos rudimentares, em 1592 a peque- na igreja apresentava sinais de abandono. Consequentemente, é natural de se imaginar que o edifício tenha passado por um processo de deterioração ao longo dos anos, o que justifica a reconstrução a que foi submetida. Em 18 de julho de 1622, a reforma foi concluída, razão pela qual essa data está escrita na entrada e é considerada por muitas pessoas como de sua fundação. O carpinteiro Fernão Munhoz recebeu terras que eram dos indígenas, em recompensa aos seus trabalhos de ampliação e reforma da capela. O padre João Álvares participou da organização dos indígenas que trabalharam na reconstrução.
 

       Sendo assim, a fundação da Capela está fortemente ligada com a fundação do bairro de São Miguel Paulista e não deixa de ser significativo que até hoje ela seja citada pela comunidade local como “Capela dos Índios”.


       Os primeiros aldeamentos


       Os aldeamentos coloniais foram primeiramente realizados pelos missionários jesuítas, convocados com o objetivo principal de catequizar os nativos das terras americanas, propagando a ordem religiosa cristã no Novo Mundo.


       Além da evangelização dos indígenas, os portugueses buscaram formas de construir uma economia com o trabalho dessas populações. Isto se deu por meio de diversas formas, a saber: alianças firmadas com esses nativos, a venda e escambo, além de negociações em meio aos conflitos e guerras intertribais que estes tinham como tradição; nesta última opção, os índios prisioneiros eram oferecidos aos europeus como escravos.¹


       Nesta perspectiva, para conquistar a mão de obra indígena, se viu necessário a busca de alternativas, já que esta forma de dominação aparecia como fundamental para o crescimento econômico. Os missionários se incluem neste emaranhado e tinham também a função de manter o controle social, organizando e repartindo os trabalhos para catequização dos indígenas, servindo como um braço fundamental para que a colonização se efetivasse.²


       Os aldeamentos eram formas de organização dos indígenas próximos às povoações coloniais. Apesar dos colonos acharem desnecessário que os índios fossem educados, nestas aldeias era função dos missionários ensinar a fé cristã aos naturais para que mais tarde fossem administrados pelos colonos para o trabalho. Cabe ressaltar que em São Paulo os povos indígenas passavam pela administração de particulares, ou seja, ficavam submetidos à tutela de um homem livre que tinha por obrigação ensinar os dogmas da cristandade e o trabalho. Enfim, era, como destaca o historiador John Monteiro, uma forma de escravização dessas populações.


       Ao tratar mais especificamente dos aldeamentos de São Paulo, John Monteiro apontou uma ordem de surgimento de novas aldeias a partir de 1560, como a de São Miguel em São Paulo.³

       Vale ressaltar que índios de diferentes regiões do território colonial eram convencidos, ou na maioria das vezes forçados, a se juntar aos demais; com o passar dos anos isso resultou em aldeamentos com uma grande diversidade de tipos étnicos. A tabela abaixo apresenta alguns desses aldeamentos.

Fonte: MARCHIORO, Márcio. Os aldeamentos indígenas em São Paulo e o casamento: análise de dados. 

 

Notas

¹ MONTEIRO, John Manuel. Negros da Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p. 30.
² Idem, p. 41-42.
³ Ibidem, p. 42-43.


 

Bibliografia


ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: Introdução ao estudo dos templos mais
característicos de São Paulo, nas suas relações com a crônica da cidade. 2. Ed. Editora
Nacional: São Paulo, 1966.


BONTEMPI, Sylvio. O Bairro de São Miguel Paulista. Secretaria de Educação e Cultura,
Prefeitura do Município de São Paulo, São Paulo, 1970.


MARCHIORO, Márcio. Os aldeamentos indígenas em São Paulo e o casamento: análise de
dados reprodutivos (1732-1830). Espaço Plural, Ano XVII, Nº 35, 2º Semestre 2016.


MONTANARI, Thais Cristina. Quatro séculos de silêncio: as pinturas parietais da capela de
São Miguel Paulista. XII EHA – Encontro de História da Arte-Unicamp, Campinas, p.560-
567, 2017.


MONTEIRO, John Manuel. Negros da Terra. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.


PETRONE, Pasquale. Aldeamentos paulistas. São Paulo: EDUSP, 1995.

 


Textos de: Mariana Gomes de Lima; Nayra Karolyne dos Santos; Nicole Martins da Silva;
Débora Cristina Segantini Natucci; Elaine Leandro Alves; Letícia Dias Muniz, João Pedro Lupo Ferreira,

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